Início » Nota da FEBAB sobre as incertezas na gestão da área de Bibliotecas do Estado de São Paulo

Nota da FEBAB sobre as incertezas na gestão da área de Bibliotecas do Estado de São Paulo

por FEBAB
Publicado: Última atualização 253 visualizações

É com enorme apreensão que a FEBAB vê a evolução da discussão do contingenciamento do orçamento do Estado de São Paulo e seus efeitos sobre a cultura e, em especial, sobre as políticas de biblioteca e leitura no estado.

Assistimos, a partir de 2008, a uma discussão muito importante, conduzida pela então Secretaria da Cultura do Estado, sobre o papel da biblioteca pública contemporânea em nosso Estado. Esta discussão encontrou foro no Seminário Biblioteca Viva (Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias), e tem servido como base para uma estratégia de fortalecer as bibliotecas públicas municipais por meio de ações do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas. Fez parte desse programa a criação, em 2010, da Biblioteca de São Paulo e, nos últimos dias de 2014, da Biblioteca Parque Villa-Lobos – as duas únicas bibliotecas estaduais de São Paulo – servindo para criar um campo de experiências para este novo modelo de biblioteca pública.

Não por acaso, estas duas bibliotecas, que hoje recebem anualmente quase 700.000 visitantes, acabaram tornando-se referências nacionais e internacionais, atestadas pela recente (2018) nomeação da Biblioteca de São Paulo como uma das quatro bibliotecas do ano pela Feira Internacional de Livros de Londres – ao lado de uma enorme biblioteca nacional (Letônia) e de outras duas bibliotecas públicas que são ícones mundiais (Aarhus, Dinamarca e Biblos Toyen, Noruega), e pela nomeação da Biblioteca Parque Villa Lobos como uma das três finalistas do mesmo Prêmio em 2019, além de ser uma das cinco bibliotecas públicas do ano pela IFLA, a poderosa Federação Internacional de Instituições Bibliotecárias, entidade que congrega mais de 160 países de todos os continentes e que, em seu último congresso, apontou a BVL como uma “referência sobre o futuro das bibliotecas públicas no mundo”. (Observe-se que as outras quatro bibliotecas finalistas – EUA, Noruega, Holanda e Singapura- tinham orçamentos expressivamente maiores).

Há uma grande discussão mundial sobre o papel das bibliotecas públicas na sociedade. Em razão disso, muitas bibliotecas vem se transformando e mostrando que são mais que suas coleções, reafirmando sua importância como centros de conhecimento e de cidadania. Para que elas se desenvolvam é preciso obter apoio e investimentos por parte dos governos. Em 2014 a Secretaria abriu editais de modernização que resultou em aprimoramento das instalações e serviços prestados pelas bibliotecas no Estado de São Paulo.

Entretanto, estamos assistindo a um progressivo enxugamento do investimento do Estado na área, que vem ocorrendo desde 2015, neste ano houve alteração na estrutura da pasta que mantinha uma área dedicada às Bibliotecas e Programas de Leitura.

O Estado de São Paulo tem hoje cerca de pouco mais de 700 bibliotecas públicas municipais (há cinco anos atrás, este número era superior a 900). Investir no Sistema de Bibliotecas Públicas (SISEB) é provavelmente um dos mais efetivos e imediatos meios de alavancar a cultura no Estado. Além da enorme capilaridade do Sistema (trata-se do equipamento cultural público mais presente no Estado), são equipamentos normalmente próximos em especial das populações mais vulneráveis e são de acesso gratuito.

Esperávamos ver, de um governo que se propõe a impulsionar a cultura por entendê-la como motor da economia criativa (segundo mencionado em artigo pelo próprio Governador João Doria no Jornal Folha de São Paulo), o apoio concreto a um modelo tão vencedor como é o da BSP e da BVL, e o incremento do investimento nas ações do Sistema Estadual de Bibliotecas (SisEB) pela enorme capacidade de atendimento à população, e não seu contínuo enxugamento como vem sendo proposto.

A FEBAB tem pautado sua ação de forma ativa e colaborativa e está à disposição para o diálogo, contribuindo na articulação dos profissionais. Neste contexto, solicitamos a realização de uma audiência pública com o objetivo de entender as propostas da Secretaria de Cultura relativas à área de modo a ampliarmos o debate com os profissionais e com as comunidades atendidas pelo SISEB.

São Paulo, 04 de abril de 2019.

Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários e Instituições – FEBAB
www.febab.org.br

Textos Relacionados

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.