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O que nos move em torno de Bibliotecas por um Mundo Melhor

por Jorge Moisés Kroll Prado
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Bibliotecas Por Um Mundo Melhor

A cada três anos, a FEBAB entra em processo eleitoral. Suas Associações são as responsáveis por votar e eleger a chapa da gestão que conduzirá os trabalhos para o próximo triênio. Este momento democrático, também é propício para resgatar as conquistas e avanços da gestão anterior e em seguida, apresentar os desejos, anseios e motivações ilustrados no discurso de posse da presidência e no plano de gestão elaborado pela nova equipe.

A seguir, apresentamos o discurso de posse, lido em Assembleia em formato online, no dia 22 de agosto de 2020. Ele demonstra dois pontos: o contexto crítico que nosso país atravessa, ampliando um distanciamento social que não nasceu com a pandemia, e a preocupação da FEBAB, seus Grupos de Trabalho, Comissões e Associações em contribuir com “Bibliotecas para um mundo melhor”, lema adotado para o triênio 2020-2023.

“Bom dia, não a colegas, não a membros da Diretoria 2020-2023 da FEBAB, nem aos presidentes das Associações. Bom dia a meus amigos e amigas de jornada pelos próximos 3 anos, porque no movimento associativo, é na amizade que encontramos parte do êxito com o trabalho.
Ter o lema “Bibliotecas por um mundo melhor” em uma plataforma de gestão tem fortes justificativas. Os desafios implicados por esta pandemia nos deflagraram um aumento de um distanciamento social que já era existente desde antes de 2020, aquele que coloca o pobre em um ponto e o rico em outro, aquele em que quem tem tão pouco passa a ter menos ainda. Segundo dados de nossa CEPAL, e aqui abro um parênteses para chamá-la de “nossa CEPAL”, pois foi ela que nos iluminou com alguns pontos que nortearam o CBBD 2019 que teve como tema “Democracia e desigualdade: qual o papel das bibliotecas?”, demonstram uma América Latina e Caribe com quase 12 milhões de desempregados a mais que 2019 e outros 16 milhões no patamar da pobreza extrema. Isso sem falar das, até agora, 114 mil vidas ceifadas, que deixam famílias enlutadas. Famílias com pessoas mais ansiosas; mais pressionadas e ainda tendo o aumento dos índices de suicidas. Estes dados estão próximos de nós todos e não são meras tabelas de índices estatísticos que vemos na mídia. Com este panorama, como poderíamos não deixar de lutar por bibliotecas por um mundo melhor?
Enquanto alguns tecnocratas já imprimem na lápide a data de morte das bibliotecas, vemos não somente nos relatos em livros, mas nas práticas, as bibliotecas como os tais palácios da comunidade, como diria o sociólogo Eric Klinenberg. Oody Library na Finlândia, Alexandria no Egito; Fayette Library nos Estados Unidos, Bibliotecas Parque na Colômbia, Biblioteca São Paulo no Brasil. Todas palácios que ofertam não somente a informação de qualidade, tratada temática e descritivamente para um acesso facilitado, mas sim como um dos últimos ambientes ainda seguros, promotores da igualdade e dinâmicos para atender necessidades que vão além da leitura de um livro. Conforme Melot1, “A biblioteca é máquina de transformação da crença em conhecimento, da credulidade em saber. Mas o conhecimento não é dado: ele também se constrói, e o bibliotecário é um dos arquitetos desse frágil edifício, construído sobre areia.”
Não são estes tecnocratas o nosso maior empecilho, mas muitas vezes a própria classe e sua descrença, especialmente no Brasil. Mas ressalto, não é papel da FEBAB em mudar esse olhar, mas é nosso papel motivar as pessoas, traçar diretrizes, induzir temáticas, conduzir caminhos e discussões, proporcionar avanços, influenciar, defender. E já podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que a última década da FEBAB principalmente, conseguiu ter resultados muito significativos e marcantes, já expostos no início desta Assembleia.
A partir de hoje, continuamos o trabalho. Sei que contarei com o apoio de vocês na difícil missão de presidir uma federação, bem como em nosso apoio mútuo em alcançar o plano de ação proposto. Desta forma, continuamos o trabalho por bibliotecas por um mundo melhor.
Gostaria agora que cada um se apresentasse rapidamente, indicando seu nome, cargo na diretoria e o que os motiva no movimento associativo.
Obrigado!”

Jorge Prado, 22 de agosto de 2020.

1 MELOT, Michel. A sabedoria do bibliotecário. São Paulo: Ateliê Editorial; Sesc SP, 2019.

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